Belmonte – Portugal: De cabras, Cabrais e navegantes
Qua, 24 de Março de 2010 10:18
João Simões

Rua de Belmonte. Foto por Moacir de Sá Pereira.
Próxima da serra da Estrela, a sorte de Belmonte sempre esteve ligada à dos Cabrais. E não apenas à família, muito antiga na região e, durante séculos, sua senhora. Essa altiva vila montesa tem profunda afinidade com as cabras, que tem parte em uma das diversas lendas de origem da vila.
Tais lendas, que são diversas, convergem em um ponto – em suas origens, Belmonte fora sempre uma vila camponesa. Localizada no interior de Portugal, próxima da fronteira com a Espanha, essa vila de 7 mil habitantes sempre teve algo de refúgio. Suas colinas e seu estilo de vida pastoral serviram para abrigar muitos judeus perseguidos pela inquisição ibérica. De fato a região ao redor de Belmonte foi escolhida para a fundação de uma comunidade de judeus que insistiam em manter integralmente suas crenças e práticas religiosas. Retirando-se para longe da sociedade cristã que os hostilizava, os assim-chamados 'marranos' foram re-incorporados à vila de Belmonte apenas na década de 70, quando ventos democráticos davam novas perspectivas religiosas e políticas a Portugal. Desde então, a vila tornou motivo de (justo) orgulho o que antes fora uma mácula, construíndo mesmo um belo museu sobre a cultura judaica e cristão-nova em Portugal, o primeiro do país.
Recentemente Belmonte tem investido bastane em recuperar sua memória. A vila tem construido museus sobre os descobrimentos, aos quais (assim como a vizinha Covilhã) esteve ligada, mas também sobre as riquezas da terra, como o azeite e o rio Zêzere. Além do esforço de reconstruir sua história, é também uma aposta em que o turismo possa ser uma nova alternativa à renda da industria de tecidos, em declínio constante. Se depender do charme de suas belas ruas, essa aposta já está ganha.
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Belmonte – Bahia, Brasil: Farol dos Descobrimentos
Seg, 22 de Março de 2010 14:10
João Simões
Belmonte é uma cidade com uma história de conexões entre Lá e Cá de 500 anos. A cidade, cujo nome homenageia a cidade natal de Pedro Álvares Cabral, primeiro navegador europeu a chegar nessas terras, situa-se na assim chamada 'costa dos descobrimentos'. Essa região, onde também se localiza a cidade de Porto Seguro, foi a primeira a ser explorada pela frota lusa, que navegou estas margens antes de partir para as Índias, objetivo principal da viagem.
Apesar de conhecida já em 1500, a região só foi alvo dos esforços colonizadores da coroa no século XVIII. Povoada até então pelos índios Botocudos, Belmonte terá sua primeira capela fundada em 1708. A construção da capela, acompanhada da instalação de colonos portugueses na região, foi parte do esforço de conversão e aldeamento dos indígenas da localidade, que crescerá em decorrência disso.
Com belas praias e clima quente e agradável, Belmonte hoje conta com 22 mil habitantes. As áreas de mata atlântica da cidade, praticamente intocadas desde a época dos descobrimentos, são consideradas patrimônio da humanidade pela UNESCO. Como não poderia deixar de ser, elas também atraem inúmeros turistas de todas as partes do mundo.
Além do turismo, Belmonte conta com belos exemplares de arquitetura dos séculos XVIII e XIX. Nesse século, a prosperidade trazida pelo cacau levou ao surgimento de diversas construções em estilo neo-gótico, muito em voga na época. Além desses prédios, Belmonte tem um farol marítimo no centro da cidade – construido inicialmente na praia, o recuo do mar levou à inutilização desse imponente sinalizador, fabricado pela mesma metalurgica que confeccionou a torre Eiffel.
Oeiras – Portugal: (Mais do que) Vizinha da Capital
Qua, 17 de Março de 2010 21:50
João Simões

Porto de recreação de Oeiras. Foto do site do Concelho Municipal da Vila.
Assentada na desembocadura do rio Tejo no oceano Atlântico, Oeiras é vizinha de Lisboa. Com 172 mil habitantes, próxima de um grande rio navegável e com um ameno clima, Oeiras é uma localidade quase natural para fundar um povoamento.
Não é de espantar, portato, que na região da vila de Oeiras haja registros de habitação desde a pré-história. Como povoado, sua aparição em documentos vem de 1147. Sua posição estratégica fez com que Oeiras se tornasse centro de produção dos diversos apetrechos necessários às conquistas lusas, vindo a abrigar fabricas de armas e de pólvora para abastecer os navios ancorados em Lisboa.
Apesar da ótima localidade, porém, durante muito tempo a vila foi ofuscada pela sua gigante vizinha Lisboa. É em 1759, quando as terras passam ao seu primeiro conde, o Marquês de Pombal, que a vila terá novo período de crescimento. Pombal instalará em Oeiras centros de pesquisa agrícola e continuará a incentivar a manufatura fabril da cidade.
Atualmente, a vila adquiriu brilho próprio, sediando importantes indústrias de grande porte, inclusive diversas do setor de tecnologia. Tem também uma área urbana bastante arborizada e belas praias, que se unem para dar um ar descontraído à cidade. Oeiras é fortemente ligada aos esportes, contando com um importante estádio de futebol. Nessa cidade moderna, ficaram marcas de sua tradição agrícola por exemplo ns iguarias locais de grande fama, como o vinho de Carcavelos e a já famosa queijada de Oeiras.
Oeiras – Piauí, Brasil: Capital da Fé
Seg, 15 de Março de 2010 21:35
João Simões

A Sé de Oeiras, com a cidade ao seu redor. Foto extraída do site da Prefeitura de Oeiras.
Fundada ao redor de uma capela no ano de 1695, a cidade de Oeiras é uma das mais antigas do Estado do Piauí. Primeira capital do Estado, essa cidade guarda de sua história grande orgulho.
Fundada há mais de três séculos, Oeiras surgiu como parte de um esforço de ocupação dos territórios do norte brasileiro, promovido pela coroa portuguesa. De fato, a cidade foi assim batizada em homenagem a um dos maiores defensores da política de expansão norte, o Conde de Oeiras, que futuramente seria conhecido como Marquês de Pombal.
Assim como Campo Maior, a cidade foi um dos palcos onde se desenrolaram os embates pela independência do Brasil, na região norte. Foi durante muito tempo a cidade mais importante do Piauí, até que sua situação climática desfavorável (a aridez dos solos e o acesso difícil às capitais dos outros estados) levaram à escolha de Teresina como nova capital em 1852.
Assim como o fato de ter sido antiga capital ainda enche de orgulho os oeirenses, o fato da vila ter surgido ao redor da capela de Nossa Senhora da Vitória sente-se ainda na reigiosidade local. Considerada como a 'Capital da Fé' do Estado, Oeiras é destino de diversas peregrinações. As celebrações da Semana Santa são particularmente notórias, atraíndo turistas e religiosos de diversas partes do Estado.
Além do turismo, a cidade obtém boa parte de sua renda da criação de gado. É ligado a esta atividade que ocorre um dos principais festejos laicos de Oeiras, a Festa do Vaqueiro. Outra tradição cultural importante de Oeiras são as apresentações do Grupo Bandolins de Oeiras. Formado apenas por mulheres nascidas na comunidade e com mais de 70 anos, o grupo agita o público em todas as apresentações, tocando samba, maxixe, marchinhas e valsas.
Miranda do Douro - Portugal: Miranda an Mirandés
Sex, 12 de Março de 2010 12:41
João Simões

Pauliteiros de Miranda em dança comemorativa do Solstício de Inverno. Foto por Mário Pires.
Saímos do sul do Brasil, da quente Miranda pantaneira, para conhecer Miranda do Douro, no extremo norte de Portugal. Situada no distrito de Trás-os-Montes, Miranda é conhecida pelo clima rigoroso. O ditado local "Em Miranda há nove meses de Inverno e três de Inferno" faz referência ao calor e secura dos meses de verão, e aos longos meses de frio e nevasca.
Assim como a Miranda mato-grossense, Miranda do Douro é também uma cidade de fronteira. Participou ativamente de conflitos com a Espanha, mas também foi ponto central das guerras contra os mouros. Durante estes embates, chegou mesmo a ser destruída centenas de anos antes de sua irmã brasileira sofrer a mesma sorte frente a outros invasores. Reconstruída por intervenção de D. Afonso Henriques, em 1136, Miranda crescerá bastante futuramente, graças ao rico comércio com a Espanha vizinha.
Considerada a "Cidade Museu" de Trás-os-Montes, o concelho não é rico apenas do passado que habita suas diversas ruínas. As tradições mirandesas continuam vivas no dia a dia, inclusive na língua própria à Terra de Miranda, da qual a cidade é capital. A região fala o mirandês, que é reconhecido como língua oficial da República Portuguesa e tem passado por diversos esforços de preservação recentemente (os interessados podem visitar esse link para ler uma amostra de um texto nesse idioma). Além da língua, a cidade é notória por manter a tradição dos pauliteiros, grupos de dança e música de origem imemoriável. Vestidos de maneira peculiar e portando instrumentos próprios da região, como a gaita de fole e a flauta pastoril, os pauliteiros celebram todos os anos o solstício de inverno. Espetáculo bonito, mas também impressionante, se considerarmos que é realizado sem interrupção há 2 mil anos ou mais.
Miranda abriga, além das peculiaridades de sua história e língua, espécies animais raras. Entre elas está o simpático burro mirandês, bem adaptado ao solo árido e pedregoso e ao relevo cheio de escarpas. A cidade tem ainda diversos pratos típicos, como os enchidos, bem como os diversos tipos de pratos de carne suína.
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