*Por: Conceição Gomes
Escrevo sobre Fernando Pessoa "sorrindo com as palavras". Sendo de nacionalidade portuguesa e vivendo em Lisboa é-me fácil respirar Pessoa. Na adolescência talvez o 1º poema que li foi a "tabacaria" ou a "mensagem", mas é o livro do desassossego que me acompanha por onde o destino me leva, qual livro infinito nunca por mim findo. Gosto do Pessoa fã de nada e que pensava que devia combater, sempre e em toda a parte - a ignorância, o fanatismo e a tirania.
Descobri o "guardador de rebanhos" através do meu excêntrico professor de ioga, que afirmava que tudo se resolviam com um bom vinho e um verso de Pessoa. Professor que um dia partiu para a Baía - Brasil de barco, desembarcou com um garrafão na mão e um livro de Pessoa na mala. Com esse professor de ioga aprendi a nobreza de Pessoa, a autêntica, a do coração.
Para Pessoa "as ruas por vezes são livros", visitemos 3 lugares que ele tanto frequentou e que eu, como tantos portugueses conheço bem, sem o mesmo génio, mas com a mesma esperança num futuro generoso de matriz espiritual.
1.Café a Brasileira do Chiado, Foi inaugurado em 1905 e o 1º a importar café do Brasil, sendo Pessoa um cliente habitual, na esplanada trona a sua estátua na rua garrett, Lisboa
2. Chapelaria Azevedo Rua. Foi inaugurada em 1886. O chapéu do escritor tornou-se um dos mais vendidos. Rossio, Lisboa
3. Restaurante Martinho da Arcada - Inaugurado em 1782 e situado sob as arcadas da Praça do Comércio em frente ao rio Tejo. Aqui Pessoa, gostava de comer ou passar longas horas escrevendo. Fala Pessoa:
"passo horas, às vezes no terreiro do paço,
à beira do rio, meditando em vão."
"Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser..."