
Cidade de Coimbra, vista do rio Mondego. Foto por Anabela Maximiliano.
A Coimbra portuguesa é uma cidade muito antiga, como quase todas de Portugal, e sua fundação data do início da dominação romana. Principalmente a parte velha, próxima da Universidade, tem um traçado típicamente medieval. Suas ruas sinuosas cortam por entre velhas casas e prédios, muitas abrigando pequenas tascas ou restaurantes. Quando menos se espera um desnível no terreno mostra-nos o resto da cidade, até então escondido pelos estreitos caminhos.
Mas por conta de sua importância cultural (e também econômica), Coimbra tem ares cosmopolitas. Curiosamente, as ruas sinuosas e o aspecto medieval dão-lhe um ar intelectual - sem dúvida influência da Universidade, a mais antiga de Portugal. Dos aproximadamente 100 mil habitantes de Coimbra, em torno de 30 mil são estudantes. Desde as discussões acadêmicas nas esquinas mais inesperadas até as grandes festas da Universidade (as Latadas, comemorações da recepção dos calouros, e a queima das fitas, festa de despedida dos recém-formados), Coimbra está inevitavelmente marcada pela vida universitária.
A cidade já foi residência de importantes nomes da vida política e cultural portuguesa. Muitos dos grandes escritores lusos foram seus alunos, de Camões a Vergílio Ferreira, passando por Miguel Torga e Eça de Queiroz. Também políticos das orientações mais díspares. Formaram-se lá figuras como o Marquês de Pombal, Salazar, Manoel Alegre e Xanana Gusmão.
Além das festas universitárias e de sua indústria moderna, a cidade é famosa também pelo ritmo dos fados de Coimbra, cujos grandes representantes são dois de seus ex-alunos, José (Zeca) Afonso, e Adriano Correia de Oliveira. O legado de ambos é riquíssimo tanto do ponto de vista das composições, quanto das letras altamente poéticas. Suas obras são dignas de destaque, além disso, pela militância musical de ambos, Zeca Afonso e Adriano Correia, contra os horrores da ditadura salazarista e das guerras coloniais.
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